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O Búfalo
O Búfalo, Bubalus Bubalis , animal de porte avantajado e pelagem preta, teve sua origem na Ásia, sendo, hoje, encontrado em diversos lugares do mundo. Chegou ao Brasil por volta de 1890, na Ilha de Marajó, onde se adaptou e se multiplicou rapidamente. Grande parte do rebanho mundial (cerca de 95%) encontra-se na Ásia, destacando-se países como Índia, China e Paquistão. Na Europa, a Itália é detentora de uma das melhores genéticas leiteiras do mundo. No Brasil, encontra-se distribuído, segundo a FNP (2004) da seguinte forma: 63,3% na região Norte; 9,4% na região Nordeste; 8,1% na região Sudeste; 13,1% na região Sul e 6,1% na região Centro-Oeste. O Rio Grande do Sul possui um rebanho aproximado de 250.000 cabeças, distribuídas em vários municípios do Estado e presente em cerca de 1000 propriedades rurais. O maior criatório no Estado, segundo o último censo realizado pela ASCRIBU, possui em torno de 2500 cabeças, mas a grande maioria dos animais encontra-se distribuída em pequenas e médias propriedades. A quase totalidade destas tem como objetivo a produção de terneiros ou de animais para corte sendo, ainda, reduzido o número de propriedades dedicadas à produção de leite.
Animal extremamente rústico e de alta capacidade de adaptação, o búfalo pode sobreviver em diversos ambientes, com grandes variações de clima, relevo e vegetação. É revestido por um couro extremamente resistente e espesso (e ao mesmo tempo muito macio), que pode ser utilizado na produção dos mais diversos artigos (bolsas, sapatos, cintos e até bancos de automóveis de luxo).
Tendo a produção de leite – com alto teor de gordura e rico em proteínas - como principal função na maioria dos países, também oferece sua força e porte para a tração, sendo capaz de arrastar o dobro de seu peso.
Sua incrível precocidade permite que, criado em pasto nativo, aos dois anos de idade as fêmeas estejam aptas para a reprodução e os machos se encontrem prontos para o abate, pesando em torno 450kg. Com um privilegiado aparelho digestivo (com maior espaço e maior riqueza microbiana que os bovinos) é capaz de realizar uma conversão alimentar mais eficaz, transformando pastos grosseiros, de baixo valor nutricional, em carne, o que também o torna um “melhorador de campos”, por não ser tão seletivo como o bovino. O desenvolvimento da sua dentição também é muito favorável, pois a primeira “muda” ocorre após os trinta meses, o que permite que o animal fique pronto para ser abatido antes desta, sem atrapalhar seu crescimento.
A fertilidade é outra grande característica. São comuns índices de parição superiores a 80%, podendo chegar a quase totalidade das fêmeas quando estas são bem alimentadas e é realizado um correto manejo reprodutivo. Outro ponto importante, é a baixa taxa de mortalidade, tanto em animais jovens como em adultos. Igualmente a alta longevidade faz com que um animal possa atingir os trinta anos, sendo fértil até os vinte anos de idade.
Outro aspecto a ser considerado é o fato de que, com menor quantidade de glândulas sudoríparas e sendo a cor de sua pele negra, o búfalo, para regular sua temperatura corporal e obter maior conforto térmico, necessita de água (açudes, alagadiços) ou, na ausência desta, de sombra.
É imperioso destacar que o bom manejo é fundamental para o sucesso de uma criação de búfalos. Dócil, ele é capaz de reconhecer as pessoas que lhe tratam e só se torna agressivo quando mal conduzido, ou, em casos raros, logo após a parição, com o intuito de proteger a cria.
Existem dezenas de raças espalhadas por mais de 40 países do mundo. Em nosso Estado, o rebanho é constituído basicamente por três delas: mediterrâneo, murrah e jafabadi.
Animais de porte médio, com origem na Itália, considerados de dupla aptidão (carne e leite). Possuem as aspas levemente voltadas para cima. Na Itália a criação é mais voltada para a produção de leite, já no Brasil o foco é a carne.
Raça originária da Índia, de conformação compacta e porte médio, com dupla aptidão (carne e leite). Possuem chifres espiralados e curtos, fazendo um círculo sobre a cabeça. É a raça mais explorada, tanto na Índia como no Brasil para a produção de leite.

Raça menos compacta e de maior porte, tendo sua origem na Índia. Suas aspas crescem para baixo, virando-se para trás e para cima. Apesar de ser utilizada, na grande maioria das vezes na produção de carne, também é uma raça produtora de leite.
As orientações aqui apresentadas não têm a pretensão de esgotar o assunto ou determinar manejo para as propriedades criadoras de búfalos, sendo que este pode variar de acordo com a localização ou objetivo do produtor. São dicas simples e básicas para quem quer iniciar a criação e não possui maiores conhecimentos sobre este animal. É importante destacar que, por sua rusticidade e maior resistência a doenças, entre outros fatores, o búfalo possui um custo de produção em torno de 20% menos do que o bovino.
O búfalo, se bem conduzido, é extremamente dócil não apresentando maiores dificuldades no trabalho de mangueira ou campo. Deve-se evitar o uso de cachorros, chicote ou gritos, podendo-se trabalhar dentro do curral sem uso de cavalo. As orientações aqui apresentadas foram colhidas de trabalhos técnicos, publicações e experiências de campo, não tendo a pretensão de ser regra absoluta, até porque algumas dessas originaram-se de experiências em criatórios do Rio Grande do Sul.
O período de entoure estende-se de fevereiro até junho, recomendando-se, para novilhas de primeira monta, que se antecipe este, em 30 dias. Deve-se usar um touro para cada 30 fêmeas, evitando-se usar animais de idades diferentes, no mesmo lote. Após o periodo de monta, deve-se agrupá-los, por idade, para que convivam harmoniosamente. Recomenda-se exame andrológico, antes do início do período de monta, bem como que se efetue, nos ventres, diagnóstico de gestação (90 dias após o fim do serviço) para eliminar os animais inférteis ou com problemas no aparelho reprodutor. Deve-se aproveitar tal ocasião para descartar, sem piedade, animais que tiveram algum problema de parição (aborto; parto distócico, abandono de cria entre outros); animais bravos ou que de alguma forma não respeitam o manejo empregado na propriedade.
A cuidado com a verminose é a principal preocupação que o produtor deve ter com os búfalos. Há relatos de situações em que o terneiro já nasce infectado com vermes, “Neoascaris vitulorum” ou “Strongyloides papillosus”, sendo a primeira everminação à base de Piperazina. A Embrapa – CPATU, recomenda dosificações nos primeiros 15 dias, após aos 30, 60 e 180.
Deve-se utilizar as mesmas vacinas usadas em bovinos, sendo que a agulha da seringa deve ser um pouco mais longa e grossa.
O piolho debilita, e muito, o búfalo, sendo que no verão o seu hábito de se deitar no barro ajuda no controle deste parasita. No inverno, entretanto, é necessário, quando da presença deste, a realização de 3 banhos seguidos com intervalos de 14/18 dias. A Embrapa Clima Temperado tem experiência com a erradicação do piolho, com uma única dose de ivermectina a 1% , realizada em todo o rebanho, no inverno.
O búfalo é pouco sujeito ao berne e praticamente imune ao carrapato. Por ser rústico, apresenta boa resistência à maioria das doenças que acometem os bovinos, sendo que estas, quando presentes, merecem o mesmo tratamento profilático e curativo aplicado naquela espécie.
Recomenda-se a identificação dos animais desde o nascimento para maior controle dos índices de produtividade da propriedade. Nas fêmeas, como sua vida útil tende a ser longa, recomenda-se o uso de dois brincos de identificação (um em cada orelha), visto que marcas a fogo tendem a desaparecer com o tempo. São utilizados também sinais na orelha e numeração na aspa.
Pode-se fazer o cálculo aproximado da idade do animal através da contagem dos anéis existentes nos chifres: Segundo Marco Zava, “ O primeiro anel dos chifres aparece no animal com cerca de 1 ano de idade; os anéis até 3 anos são apagados; o número de anéis, mais um, é a melhor indicação em anos alcançada com esse método”.
Existe uma crença no sentido de que búfalos não respeitam cercas. Tal fato não é verdadeiro. O que acontece é que, muitas vezes, o produtor, ao confundir rusticidade (característica deste animal), com miserabilidade, superlota uma área de campo na esperança de que os animais ali permaneçam conformadamente. Ao passarem fome, tendem a romper a cerca por pura questão de sobrevivência. Neste caso a culpa é do homem. Pelo seu hábito noturno de caminhar, deve-se conservar porteiras “atadas”, sendo o uso das cancelas de muita valia para evitar que estes, pela sua característica natural de andar longas distâncias, adentre para outros potreiros ou campos. Recomenda-se, em caso de cercas convencionais, que o uso do arame farpado (se assim o produtor desejar) seja utilizado no segundo fio de baixo para cima. O búfalo respeita e muito a cerca elétrica, desde que passe, antes, por um estágio de aprendizagem em um potreiro escola.
Os terneiros podem ser desmamados em torno dos 180/210 dias de vida, com peso mínimo de 160 kg para machos e 150 kg para fêmeas. Se for o caso, deve-se proceder duas épocas distintas de desmame para os animais que não atingirem o peso adequado, pois, pelo alto teor de gordura do leite bubalino (7%), o terneiro é muito dependente deste, tendendo a sofrer um maior estresse, na desmama, se não estiver com o peso adequado. Deve-se colocá-los em potreiro previamente diferido e longe das sua mães. Recomenda-se 24 horas de mangueira, para costeá-los. Após, soltos no potreiro de desmame devem estar acompanhados de um “sinuelo” (animal mais velho e manso) para que se acalmem e tenham mais rapidamente conhecimento das aguadas. Existem determinados aspectos que devem ser observados, a campo, e que podem indicar doenças. São estas: diarréia negra e fétida; indisposição para mamar; pêlo áspero, sem brilho; andar lento, respiração ofegante, entre outras. Nestes casos, ou para animais que apresentem menor desenvolvimento pós desmame, deve-se apartá-los para facilitar a observação do peão e para não serem derrubados e pisoteados pelos demais terneiros. É bom destacar que até 1 ano de idade, machos e fêmeas convivem bem no mesmo pasto.